
Os juros da dívida pública dos Estados Unidos registaram na quarta-feira a maior subida diária em quase 18 meses. A taxa de rentabilidade (yield) das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos, uma das principais referências para o custo do crédito a nível mundial, subiu para mais de 5,10%. Ao ultrapassar os 5%, atingiu o nível mais elevado desde julho de 2007, altura em que começou a crise do subprime. Esta subida foi generalizada. A yield a 2 anos, mais sensível às expectativas sobre a política monetária, subiu para 4,89%, máximo desde maio de 2024, e a yield a 30 anos fixou-se em 5,40%.
Yields mais elevadas significa que o Estado norte-americano paga mais para se financiar, com impacto nas taxas dos empréstimos a famílias e empresas.
Na origem do movimento esteve, em primeiro lugar, os resultados acima do esperado da economia. Os índices PMI, inquéritos aos gestores de empresas que medem a evolução da atividade, ficaram muito acima das previsões. O indicador dos serviços subiu de 56,5 em agosto para 58,7 em setembro, o valor mais alto em quase cinco anos. O da indústria chegou a 57,0, máximo de mais de quatro anos (valores acima de 50 indicam expansão). Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, sublinhou que, excluindo a reabertura da economia após a pandemia, esta é a maior subida desde o início de 2015. Alertou, no entanto, que os custos para as empresas subiram ao ritmo mais rápido em quatro anos, devido aos combustíveis e aos transportes.
Durante a sessão de quarta feira, o Brent aumentou 3,86% para 103,08 dólares por barril e o WTI subiu 1,81% para 92,16 dólares. A guerra entre os EUA e o Irão tem mantido os preços elevados ao longo do ano, o que aumenta o receio de uma inflação persistente.
A este contexto juntaram-se sinais relacionados com a Reserva Federal (Fed). O governador Michael Barr afirmou que, no seu cenário base, deverão ser necessários novos ajustes na política monetária para que a inflação regresse à meta dos 2% em tempo útil. Recorde-se que a Fed subiu os juros na semana passada. Desde então, a probabilidade, atribuída pelo mercado, a um novo aumento de 0,25 pontos percentuais na reunião da Fed em outubro, passou de 55% para 73,1%, quando há um mês era inferior a 10%.
Contribuiu também para a subida, um leilão de obrigações a cinco anos com procura abaixo do habitual, e quando assim é, o Tesouro norte-americano tem de oferecer juros mais elevados para se conseguir financiar.
Em França, os custos de financiamento também continuam a aumentar. A yield das obrigações francesas a 10 anos ultrapassou os 4,5% na sexta-feira, pela primeira vez desde 2008, e manteve-se acima desse nível. Na manhã de quinta-feira estava a negociar perto de 4,7%. O país tem dos juros mais elevados entre as economias do G7, e os investidores estão a exigir um prémio de risco cada vez maior perante o terceiro ano consecutivo de incerteza política em torno do orçamento. O governo minoritário de Sébastien Lecornu vai apresentar ao parlamento, no início de outubro, a proposta de Orçamento para 2027. A proposta prevê um esforço orçamental assente em cortes na despesa, num processo que pode levar à queda de mais um governo. O Ministério das Finanças prevê que a dívida pública atinja um máximo histórico de 119,3% do PIB em 2026 e 121,7% em 2027. O objetivo do governo é baixar o défice para cerca de 5% do PIB.
