
A Reserva Federal norte-americana (Fed), esta quarta-feira, aumentou a taxa de juro de referência em 0,25 pontos percentuais, para o intervalo entre 3,75% e 4%. A decisão foi tomada por unanimidade, com 12 votos a favor e nenhum contra, e marca a primeira subida de juros desde julho de 2023. Kevin Warsh, que assumiu há pouco tempo a presidência do banco central, justificou a medida com a persistência da inflação, que voltou a apontar como o principal problema da economia norte-americana. Segundo o responsável, o crescimento do PIB e a solidez do mercado de trabalho permitem absorver um aumento desta dimensão sem travar a atividade económica.
Esta decisão já era esperada. A inflação medida pelo índice PCE, o indicador de referência para a Fed, fixou-se em 3,7% em julho, quase o dobro da meta de 2%. As projeções do próprio banco central apontam agora para que esse objetivo dos 2% só seja alcançado em 2029.
Entre os 18 responsáveis que participam nas projeções da Fed, 16 antecipam pelo menos mais um aumento de 0,25 pontos ainda este ano, e os investidores atribuem cerca de 50% de probabilidade a que isso aconteça logo na reunião de outubro.
O mercado de futuros permite acompanhar em tempo real aquilo que os investidores esperam das próximas decisões, e o cenário atual é de uma trajetória de subidas que se estende até 2027. Como se pode ver no gráfico desta semana, para a reunião de 9 de dezembro de 2026, o cenário mais provável (~50%) é a de uma taxa entre 4% – 4,25%, ou seja, mais 0,25 pontos face ao nível atual.
Para a reunião de dezembro de 2027, a distribuição das probabilidades desloca-se para cima, com o cenário mais provável a passar a ser 4,5% – 4,75% (~29% de probabilidade). Ou seja, o mercado não está a tratar esta subida como um caso isolado.
Na quarta-feira, as bolsas norte-americanas fecharam em terreno negativo, penalizadas pelo receio de novos aumentos. Na quinta-feira, o movimento inverteu-se, e até meio da tarde, os principais índices recuperavam, impulsionados pelas ações de crescimento e pelas tecnológicas ligadas à inteligência artificial.
Este aumento da taxa também pode ser lido como um sinal de independência do banco central, que resistiu à pressão de Donald Trump, insistente nos pedidos de cortes desde que tomou posse e que voltou a defender nas redes sociais taxas de “1% ou menos”.
Para os investidores, é importante deixar a nota de que subidas de juros não se traduzem automaticamente em mercados em queda. Das 21 vezes em que a Fed iniciou um período de subida de juros, o índice S&P 500 valorizou nos 12 meses seguintes em 81% dos casos, com um ganho médio de 6,7%.
