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O gráfico desta semana mostra um dado muito relevante para quem investe. Podemos observar que quando a inflação acelera, há classes de ativos que tendem a acompanhar melhor esse movimento e outras que, historicamente, ficam para trás. Na última década, as matérias-primas surgem como o grupo com maior correlação com a inflação, seguidas pelos recursos naturais e pelo setor de infraestrutura. No extremo oposto temos o mercado obrigacionista, que revela a relação mais negativa com a subida dos preços reforçando a conclusão de que, num ambiente inflacionista, os ativos “reais” costumam responder melhor do que os ativos mais sensíveis às taxas de juro.
Isto ajuda também a perceber porque é que uma carteira composta apenas de ações e obrigações pode não ser a mais estável no curto-prazo, quando o grande problema da economia é a inflação. Historicamente, as obrigações tendem a sofrer mais neste contexto, porque a subida da inflação costuma levar a taxas de juro mais elevadas, o que pressiona o preço destes ativos. Ainda assim, isso não significa que exista uma solução perfeita. A própria sensibilidade dos ativos à inflação varia ao longo do tempo.
Também importa lembrar que nem todos os períodos inflacionistas são iguais. Isso ajuda a explicar porque é que certos ativos conseguem proteger melhor num determinado momento, mas não noutro. Mais do que procurar uma proteção absoluta, faz sentido perceber que o comportamento das diferentes classes de ativos depende muito da origem e da duração da inflação.
É importante não correr atrás dos ativos da “moda”, mas perceber que diversificar é essencial, sobretudo quando a inflação deixa de ser uma preocupação teórica e passa a pesar na carteira das famílias.
