Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, reúnem-se esta quinta-feira em Washington, na segunda cimeira presencial entre os dois líderes este ano. O objetivo será reforçar a trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo, sendo que as tarifas continuam no centro das negociações. No pico da guerra comercial do ano passado, os EUA chegaram a aplicar taxas de 145% sobre produtos chineses, e Pequim respondeu com 125% sobre bens norte-americanos. Desde então as tensões acalmaram, mas os valores mantêm-se elevados. Em julho, a taxa tarifária efetiva sobre as importações chinesas era de 22,8%, a mais alta entre os principais parceiros comerciais dos EUA.
A inteligência artificial deverá ser outro dos temas centrais do encontro. No fim de semana, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, debateu com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, a criação de um diálogo bilateral sobre IA. Esse diálogo incluiria um canal de comunicação para incidentes que possam afetar a segurança nacional.
A preocupação com esta nova tecnologia tem vindo a aumentar no último mês, depois de casos em que sistemas de IA agiram de forma autónoma. Segundo a CNBC, os dois países poderão chegar a acordo sobre regras comuns de segurança, mas para já um compromisso para abrandar o desenvolvimento da tecnologia é considerado muito improvável, e as divergências mantêm-se. Washington continua a limitar o acesso da China aos chips mais avançados da Nvidia e acusa empresas chinesas de treinarem os seus modelos com base nos resultados de sistemas norte-americanos, uma acusação que Pequim rejeita.
Antes do encontro com Xi Jinping, Trump discursou ontem na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde defendeu a guerra com o Irão, ameaçou reforçar a ação militar e chegou a falar em “aniquilar” o país, apresentando-se, ao mesmo tempo, como um promotor da paz. Defendeu também a intervenção dos EUA na Venezuela e afirmou que a liberdade “vai chegar a Cuba”, o que levou a delegação cubana a abandonar a sala. Trump abordou também o tema da IA, rejeitando os apelos à criação de limites para a tecnologia.
Ainda no plano da política externa, recentemente, foi anunciado o acordo de segurança entre os EUA, a Dinamarca e a Gronelândia. O entendimento prevê o desenvolvimento de uma presença militar significativa no território, sendo que o acordo surge após meses de ameaças de Trump de anexar a Gronelândia, território que considera essencial para a segurança nacional dos EUA. Os detalhes ainda não foram divulgados, mas autoridades gronelandesas e dinamarquesas procuraram tranquilizar a população, garantindo que o acordo respeitará o direito da ilha à autodeterminação e a soberania dinamarquesa. Esta semana, as ações de empresas cotadas nos EUA com exposição à Gronelândia registaram fortes subidas.
