
A época de apresentação de resultados do segundo trimestre está praticamente encerrada em Wall Street, cerca de 90% das empresas do índice S&P 500 já apresentaram contas, com resultados a superar largamente as expectativas. O crescimento homólogo dos lucros situa-se em 50%, o valor mais elevado desde 2021, e 86% das empresas bateram as estimativas dos analistas, muito acima da média de 78% dos últimos cinco anos. A margem de lucro líquida chegou a 16,9%, um recorde desde que a FactSet começou a medir este indicador, em 2009.
Mais revelador do que os lucros (que podem ser afetados por fatores extraordinários) é o comportamento das receitas, um indicador mais difícil de manipular num relatório de contas. As receitas cresceram 15,0% face ao período homólogo, o ritmo mais acelerado desde o final de 2021 e o segundo trimestre consecutivo com crescimento de dois dígitos. E este número foi sendo revisto em alta à medida que as empresas reportavam, os analistas estimavam que fosse 9,5% no início do trimestre, 12,2% no final de junho e, com a maioria das contas já divulgadas, chegou-se aos 15,0%.
A ressalva está na concentração dos ganhos. Os setores da energia (+42,5%) e da tecnologia de informação (+35,9%) foram responsáveis pela maior parte deste crescimento. Retirando estes dois setores, os restantes nove setores da economia, cresceram 9,7%, ainda assim um valor muito positivo.
Também os lucros exigem uma leitura atenta. Uma parte do crescimento reflete os ganhos contabilísticos extraordinários de duas gigantes tecnológicas. A Alphabet registou um ganho de cerca de 98 mil milhões de dólares e a Amazon de 54 mil milhões, em grande medida pela revalorização das suas participações em empresas privadas como a SpaceX e a Anthropic. Este são ganhos ainda não realizados, que existem apenas no papel, e não resultam da venda de publicidade digital ou dos serviços de cloud. Ainda assim, mesmo excluindo estas duas empresas, a margem líquida do índice mantém-se em 15,0%, o que continua a ser um máximo histórico.
Na Europa, a tendência é semelhante. O índice Stoxx Europe 600 deverá fechar o trimestre com um crescimento de lucros próximo dos 22%, o melhor desde 2022, com o setor bancário a liderar e várias bolsas europeias a renovar máximos. Apesar do otimismo, a bolsa norte-americana negoceia a 20 vezes os lucros esperados para os próximos doze meses, um pouco acima da média da última década, níveis que deixam pouco espaço para deceções no resultados futuros.
Com a época de resultados quase encerrada, falta ainda conhecer as contas da maior empresa do mundo por valor de mercado, a Nvidia, que reporta a 26 de agosto.
