
A inflação nos Estados Unidos voltou a acelerar em abril, trazendo de novo para o centro das atenções um tema que os investidores e consumidores conhecem bem, o aumento custo de vida. O Índice de Preços no Consumidor, conhecido como CPI, subiu 3,8% face ao mesmo mês do ano passado, acima dos 3,3% registados em março, segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics. Em termos mensais, os preços aumentaram 0,6%.
O principal aumento veio da energia. Segundo os dados oficiais, os preços da energia subiram 17,9% em termos anuais, com a gasolina a aumentar 28,4%. Só em abril, a energia foi responsável por mais de 40% da subida mensal do CPI, mostrando como o choque nos preços do petróleo, associado à guerra com o Irão e às perturbações no Estreito de Hormuz, está a chegar rapidamente à carteira dos consumidores.
Mas a inflação não se resume apenas aos combustíveis. O gráfico mostra que há várias categorias ainda a pesar no orçamento das famílias: a alimentação em casa subiu 2,9%, com destaque para a fruta e legumes, enquanto as tarifas aéreas dispararam 20,7% em termos anuais, refletindo também o aumento dos custos dos combustíveis. A inflação subjacente, que exclui alimentação e energia, subiu 2,8%, mostrando que, apesar do peso da energia, também se verifica pressão nos preços em outras áreas da economia.
Para a Reserva Federal, estes dados tornam o cenário mais difícil. Com a inflação novamente a aproximar-se dos 4%, fica mais complicado justificar cortes nas taxas de juro no curto prazo. Enquanto os preços da energia se mantiverem elevados, a inflação poderá permanecer alta durante mais tempo, prolongando a pressão sobre o orçamento das famílias e mantendo a Fed numa posição particularmente difícil de gerir.
