
A Apple voltou esta semana a ser a empresa cotada mais valiosa do mundo. A fabricante do iPhone ultrapassou a Nvidia e reconquistou o primeiro lugar, algo que não acontecia desde abril de 2025. Na terça-feira, 28 de julho, a empresa chegou mesmo a atingir os 5 biliões de dólares de capitalização bolsista durante a sessão, um patamar que só a Nvidia tinha alcançado antes. A empresa que muitos consideravam estar atrasada na corrida à inteligência artificial é, de novo, a maior do mundo.
Os números ajudam a explicar esta ascensão. As ações da Apple valorizam cerca de 25% desde o início do ano, muito acima da Nvidia, que soma apenas 2%, e das principais bolsas norte-americanas, o S&P 500 e o Nasdaq 100, valorizaram 7,3% e 8,2%, respetivamente, no mesmo período, como mostra o gráfico. Numa altura em que grande parte do entusiasmo se concentra nos fabricantes de chips, foi a Apple a surpreender pela positiva.
A explicação desta subida, passa pela opção estratégica da equipa de gestão. A Apple está a ser recompensada por gastar pouco em IA. Enquanto Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta deverão investir, em conjunto, cerca de 700 mil milhões de dólares este ano na construção de centros de dados para IA, a Apple deverá ficar-se apenas por 14 mil milhões. Em vez de construir a sua própria infraestrutura, optou por alugar capacidade e recorrer a tecnologia de terceiros, como a Google. Durante meses, essa contenção foi lida como um atraso, sinal de que a empresa estava a ficar para trás. Agora, com os investidores preocupados com o endividamento e os gastos avultados dos rivais, e em alguns casos ainda sem um retorno claro à vista, a prudência transformou-se em vantagem.
A mudança chega num momento importante para a Apple. A empresa prepara-se para fazer a passagem de testemunho, com Tim Cook a ceder o lugar de presidente executivo a John Ternus em setembro. Ao mesmo tempo, procura reforçar o crescimento com novos produtos, por um lado, um novo dispositivo inteligente para a casa, com o assistente Siri renovado; por outro, uma parceria com a Klarna que permite alugar um iPhone por cerca de 18 dólares por mês.
Depois de anos rotulada como atrasada na corrida à IA, a Apple chega neste momento à posição que muitos julgavam que já não voltaria a ocupar, a de maior empresa do mundo.
