O incumprimento do crédito nos Estados Unidos está a aumentar e começa a preocupar investidores, bancos e analistas. Os dados mais recentes da Reserva Federal de Nova Iorque mostram que os atrasos nos pagamentos de cartões de crédito, crédito automóvel e empréstimos a estudantes atingiram níveis historicamente elevados. Ao mesmo tempo, a dívida das famílias americanas encontra-se num máximo histórico.
Ainda assim, a situação não representa uma crise financeira. No entanto, o aumento do crédito em incumprimento constitui um sinal de alerta para a economia norte-americana e para o setor bancário.
Cartões de crédito registam maior incumprimento desde 2011
Os cartões de crédito são atualmente o segmento mais preocupante. Segundo a Reserva Federal de Nova Iorque, 13,1% dos saldos em dívida encontram-se em atraso há pelo menos 90 dias. Este é o valor mais elevado desde 2011, quando os Estados Unidos ainda sentiam os efeitos da crise financeira global.
Além disso, este aumento sugere que muitas famílias continuam sob pressão financeira devido às taxas de juro elevadas e ao aumento do custo de vida.
Crédito automóvel bate recorde histórico
No crédito automóvel, a taxa de incumprimento atingiu 5,6%. Trata-se do valor mais elevado desde que existem registos.
Por outro lado, o aumento dos preços dos automóveis nos últimos anos, aliado ao custo mais elevado do financiamento, tem dificultado o pagamento das prestações por parte de muitas famílias norte-americanas.
Empréstimos a estudantes regressam a máximos pós-pandemia
Também os empréstimos estudantis registaram uma deterioração significativa.
A taxa de incumprimento subiu para 10,3%, o nível mais elevado desde 2020. Grande parte desta subida explica-se pelo fim da suspensão temporária dos registos de incumprimento implementada durante a pandemia.
Além disso, nos últimos dois trimestres, cerca de 3,6 milhões de americanos com empréstimos estudantis entraram em incumprimento. Muitos destes devedores já apresentavam igualmente atrasos nos pagamentos dos cartões de crédito e do crédito automóvel.
Dívida das famílias americanas atinge novo recorde
Ainda assim, importa colocar estes números em perspetiva. A dívida total das famílias dos Estados Unidos atingiu um novo máximo histórico de 18,8 biliões de dólares. No entanto, mais de 95% de toda a dívida continua a ser paga dentro dos prazos previstos.
Por isso, os dados sugerem que o principal problema não está no aumento do número de pessoas a entrar em incumprimento. O principal desafio parece ser a dificuldade crescente de quem já se encontrava numa situação financeira delicada.
O impacto do incumprimento nos bancos
O aumento do incumprimento do crédito nos Estados Unidos pode afetar diretamente a rentabilidade dos bancos.
Quando os clientes deixam de pagar os seus empréstimos, os bancos enfrentam perdas. Por isso, são obrigados a reforçar provisões para potenciais incumprimentos, o que reduz os lucros.
Além disso, os bancos mais expostos a clientes de rendimentos mais baixos poderão sentir uma pressão superior. Já instituições como a American Express, cuja base de clientes é tendencialmente mais abastada, poderão mostrar maior resistência a esta deterioração da qualidade do crédito.
O que podem esperar os investidores?
Por enquanto, o cenário aponta para uma pressão sobre as margens das instituições financeiras mais expostas ao crédito ao consumo. Contudo, não existem sinais de uma crise generalizada.
No entanto, o incumprimento do crédito nos Estados Unidos continua a ser um indicador importante a acompanhar. Caso o mercado de trabalho americano comece a enfraquecer e o desemprego aumente, os níveis de incumprimento poderão continuar a subir. Como consequência, os riscos para a banca e para a economia poderão agravar-se.
Em suma, os números revelam uma realidade clara. Embora a maioria das famílias continue a cumprir as suas obrigações financeiras, uma parte crescente da população está a enfrentar dificuldades cada vez maiores para pagar as suas dívidas.

