
Concluído o ano de 2025, podemos olhar para os retornos dos mercados acionistas à volta do mundo e constatar que os grandes vencedores não foram os Estados Unidos. Pelo contrário, vários países registaram desempenhos muito superiores ao mercado norte-americano, com destaque para a Coreia do Sul, Peru, Espanha, Polónia, Grécia e África do Sul, que valorizaram entre 70% e 95%, em dólares. Em comparação, o S&P 500 subiu cerca de 18%, enquanto o índice global, que reúne ações de todo o mundo, também superou claramente o mercado dos EUA.
Uma das principais razões para esta diferença foi o ponto de partida muito distinto entre os mercados. As ações norte-americanas entraram em 2025 com valorizações historicamente elevadas, depois de vários anos de forte subida liderada pelas grandes tecnológicas. Por outro lado, muitos mercados internacionais, sobretudo na Europa e países emergentes, estavam mais baratos em termos relativos, e tinham ficado para trás durante a última década. Quando o crescimento económico estabilizou e a inflação começou a ceder em várias regiões, esses mercados tornaram-se mais atrativos para os investidores.
Outro fator importante foi a rotação para setores mais tradicionais, como banca, energia, indústria e matérias-primas, que têm um peso maior fora dos EUA. Tanto a Europa como várias economias emergentes beneficiaram do facto de a inflação ter abrandado e de as taxas de juro terem descido de forma mais significativa, o que trouxe mais confiança aos investidores. Além disso, estes mercados tinham uma forte presença de bancos e empresas ligadas a matérias-primas, que estiveram entre os setores que mais valorizaram em 2025.
Por fim, o enfraquecimento do dólar em vários períodos do ano também ajudou a impulsionar os retornos internacionais ex-EUA, tornando os ganhos em mercados como Europa e emergentes ainda mais expressivos. No conjunto, 2025 mostrou que os melhores retornos nem sempre vêm dos mesmos sítios do passado e que, num mundo cada vez mais interligado, olhar também para fora dos EUA pode fazer toda a diferença no desempenho de uma carteira.
