A Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu ontem manter as taxas de juro inalteradas, no intervalo entre 3,5% e 3,75%, pela quinta reunião consecutiva sem alterações na taxa diretora. A decisão, porém, não foi consensual, a votação foi de 9 contra 3, com os presidentes das reservas regionais de Cleveland, Minneapolis e Dallas a defenderem uma subida de 0,25%, e nenhum membro propôs um corte. Estas dissidências mostram que uma parte relevante do comité continua preocupada com uma inflação que permanece acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
Foi a segunda reunião sob a liderança de Kevin Warsh, o novo presidente da Fed, que adotou um estilo de comunicação diferente do dos antecessores. Warsh tem dado menos indicações sobre a trajetória futura das taxas, preferindo declarações curtas e deixar aos mercados a interpretação dos dados económicos. Na conferência de imprensa, reforçou que a Fed não hesitará em combater a inflação se os preços continuarem a subir. A este cenário acresce o risco associado ao conflito no Médio Oriente, que pressiona os preços do petróleo e, com eles, a inflação.
A reação dos mercados foi negativa. O índice Dow Jones caiu cerca de 1,6%, o S&P 500 recuou 0,6% e a taxa da dívida norte-americana a 10 anos subiu para 4,657%. As atenções viram-se agora para setembro, considerada uma reunião “em aberto” e totalmente dependente dos próximos dados de inflação. Neste momento, os mercados atribuem já uma probabilidade de cerca de 60% a uma subida de 0,25% nessa reunião.
Em termos práticos, os juros deverão manter-se altos durante mais tempo do que se esperava no início do ano.
Um cenário de taxas mais altas por mais tempo tende a encarecer o crédito e a favorecer produtos de poupança de curto prazo, que oferecem rendimentos mais atrativos com menor exposição ao risco. Nos mercados acionistas, a incerteza quanto ao próximo movimento da Fed e a menor orientação dada por Warsh poderão traduzir-se em maior volatilidade.
