
Num mundo onde muitas empresas recorrem a dívida para crescer os seus negócios, outras fazem precisamente o contrário, acumulam montanhas de liquidez. Estas empresas detêm milhares de milhões em caixa e aplicações de curto prazo, dinheiro disponível quase de imediato, seja em depósitos bancários ou em títulos do Tesouro. No topo da lista está a Berkshire Hathaway, com impressionantes 382 mil milhões de dólares, a maior reserva de “cash” da sua história.
Logo atrás surgem a chinesa CITIC e a japonesa Daiwa Securities, dois gigantes do setor financeiro. Aliás, as empresas financeiras dominam o ranking, 13 das 50 maiores reservas pertencem a bancos e corretoras, que são obrigadas por regulação a manter elevados níveis de liquidez como almofada de segurança. Mas nem todo o dinheiro “parado” resulta de exigências legais. No caso da Berkshire, trata-se de uma decisão estratégica. A empresa que era liderada por Warren Buffett, nos últimos 9 trimestres, tem vindo a vender mais ações do que compra.
Também as grandes tecnológicas aparecem em força. Alphabet e Amazon fecham o top 5, e, no total, as chamadas “Magnificent Seven”, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, Apple, Nvidia e Tesla, acumulam quase 600 mil milhões de dólares em caixa. Estas empresas são verdadeiras máquinas de gerar dinheiro, têm margens elevadas, modelos de negócio escaláveis e conseguem transformar facilmente receitas em liquidez. Mesmo investindo milhares de milhões em inteligência artificial e em novos centros de dados, muitas optaram por recorrer a dívida barata, preservando a posição de cash como escudo contra incertezas económicas, tensões geopolíticas ou oportunidades de aquisição.
O caso da Berkshire Hathaway destaca-se. A empresa não acumula dinheiro por receio, ou regulação mas por paciência. Historicamente, níveis tão elevados de liquidez coincidiram com períodos em que o fundo aguardava por quedas significativas nos mercados para comprar ativos a preços que considera mais atrativos, mas as bolsas bateram vários máximos históricos nos últimos anos. Neste contexto, a atual posição de caixa recorde, sugere uma estratégia de manter flexibilidade financeira suficiente para agir quando surgirem oportunidades, sem depender de financiamento externo ou de vendas forçadas de ativos.
