
A chamada yield curve, ou curva de rendimentos, representa as taxas de juro da dívida do Estado norte-americano para diferentes durações, desde poucos meses até várias décadas. Em condições normais, esta curva tem uma inclinação positiva, ou seja, quanto maior a duração do empréstimo, maior a yield (rendimento) exigida pelos investidores, como compensação pelo tempo e pela incerteza do investimento. É por isso que, historicamente, as taxas de longo prazo tendem a situar-se acima das taxas de curto prazo.
O alerta surge quando essa lógica se inverte. Quando as taxas de curto prazo passam a ser superiores às de longo prazo, o mercado está implicitamente a dizer que espera um abrandamento económico. Ou seja, os investidores antecipam que, num cenário de economia mais fraca, os bancos centrais acabarão por baixar as taxas de juro de curto prazo para estimular a economia. Os investidores para se protegerem, procuram investir então às taxas de juro atuais, comprando obrigações de longo prazo. Este aumento da procura, faz descer as yields do longo prazo. Quando este movimento é feito em massa, a curva fica invertida, um fenómeno raro, mas historicamente relevante.
O gráfico mostra que esta inversão da yield curve antecedeu praticamente todas as recessões dos últimos 50 anos (assinaladas pelos períodos a cinzento). Sempre que a taxa a 10 anos é superior à taxa a 3 meses, a economia acabou por entrar em recessão meses depois. Não se trata de um relógio exato, mas de um aviso precoce de que o ciclo económico está a perder força, razão pela qual continua a ser seguido de perto por economistas e bancos centrais.
Ainda assim, a curva de rendimentos não é uma bola de cristal. As políticas monetárias não convencionais dos últimos anos, como a compra massiva de obrigações pelos bancos centrais, podem distorcer este indicador. Além disso, a inversão não diz quão profunda ou duradoura será uma eventual recessão, nem distingue entre um simples abrandamento e uma crise severa. Para o pequeno investidor, este sinal deve ser lido com cautela. Uma curva invertida não exige decisões precipitadas, mas recorda que os ciclos económicos fazem parte dos mercados e que a diversificação, a disciplina e uma visão de longo prazo continuam a ser essenciais em períodos de maior incerteza.
