
O setor dos semicondutores voltou a estar no centro das atenções dos mercados. O SOXX, um ETF que reúne algumas das principais empresas de semicondutores, está em máximos históricos e acumula uma valorização superior a 70% desde o início do ano. Entre as maiores posições estão empresas como Micron (retorno de 169% em 2026), AMD (109%), Intel (237%), Broadcom (20%) e Nvidia (18%).
A explicação para este entusiasmo vai para além de especulação pura. A inteligência artificial está a exigir cada vez mais capacidade de processamento, memória, centros de dados e infraestrutura energética. Ou seja, a procura já não está concentrada apenas nos chips da Nvidia, está a espalhar-se por várias áreas da cadeia de semicondutores.
Ainda assim, uma tese de investimento promissora pode tornar-se arriscada quando o preço pago já reflete um cenário quase perfeito. O SOXX negoceia atualmente com um rácio P/E de cerca de 70x, um nível que já incorpora expectativas muito elevadas para os lucros futuros. Além disso, os semicondutores continuam a ser uma indústria cíclica, quando há excesso de procura, o investimento dispara; quando a procura abranda, os preços, margens e encomendas podem corrigir rapidamente. A forte subida do SOXX num período tão curto tem, por isso, levantado comparações com outros momentos em que o entusiasmo dos investidores empurrou certos setores para valorizações muito exigentes, como a bolha das tecnológicas no final dos anos 90 ou, mais recentemente, ações ligadas a veículos elétricos ou criptoativos.
Para os investidores, a principal questão é tentar perceber se o potencial de valorização ainda compensa os riscos. Quem já tinha exposição ao setor pode fazer sentido rever o peso dos semicondutores na carteira e evitar que uma só área passe a dominar o risco do seu portefólio. Quem está de fora deve ter cuidado com o sentimento de FOMO (fear of missing out), comprar depois de uma subida quase vertical pode deixar pouca margem de segurança. A tendência de longo prazo da IA pode continuar a ser muito forte, mas, a estes níveis, uma pequena desilusão nos resultados pode ser suficiente para provocar uma correção significativa.
