
As grandes empresas tecnológicas cotadas nos Estados Unidos, conhecidas como as “Sete Magníficas” (Microsoft, Nvidia, Apple, Amazon, Alphabet (dona da Google), Meta e Tesla), perderam cerca de 2,3 biliões de dólares em valor de mercado durante o mês de junho. Apesar dessa queda, o índice S&P 500, que reúne as maiores empresas norte-americanas, continuou a valorizar em 2026. A diferença face aos últimos anos está na origem dessa subida. Este ano, a valorização do índice deve-se sobretudo às restantes 493 empresas que compõem o índice, e não ao desempenho destas grandes tecnológicas.
O comportamento mais cauteloso dos investidores está associado ao volume de investimento por parte destas empresas. A Amazon, a Microsoft, a Alphabet e a Meta estão a gastar centenas de milhares de milhões de dólares na compra de chips e na construção de centros de dados para suportar os seus serviços de inteligência artificial, sendo parte deste investimento financiada com dívida. Os investidores aguardam agora sinais de retorno deste enorme esforço financeiro, e a atenção do mercado está centrada na época de resultados do segundo trimestre, que começa em força na próxima semana.
Os dados de 2026 confirmam a mudança. A Microsoft, a Meta e a Tesla estão este ano a penalizar o desempenho do S&P 500, só a Microsoft acumula uma desvalorização superior a 20% desde o início do ano. No conjunto, as restantes 493 empresas explicam cerca de 96% da valorização do índice em 2026. A tendência estende-se ao resto do mercado, tanto as pequenas empresas (small-cap), como a generalidade das cotadas norte-americanas registam ganhos superiores aos das “Sete Magníficas”.
Durante mais de uma década, as grandes tecnológicas foram as principais responsáveis pela subida da bolsa americana, ao ponto de muitos investidores questionarem a utilidade de diversificar as carteiras. O desempenho de 2026 mostra que essa liderança não é permanente. Não é possível antecipar se a tendência atual vai manter-se no curto prazo. Há quem considere que o mercado está a ser excessivamente severo com estas empresas, mas o ano em curso ilustra o caráter cíclico dos mercados, em que a liderança tende a alternar entre diferentes setores e dimensões de empresas.
