Os Estados Unidos e o Irão chegaram a acordo para pôr fim à guerra que dura há quase quatro meses, com a assinatura oficial marcada para esta sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. O anúncio foi feito no domingo pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, país que serviu de mediador entre as duas partes, e rapidamente confirmado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Ambos os lados comprometeram-se a cessar de imediato e em definitivo todas as operações militares, incluindo no Líbano. Trump anunciou ainda a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano, abrindo caminho para que o petróleo volte a circular na região.
A reação dos mercados não se fez esperar. Na abertura desta segunda-feira, as bolsas asiáticas dispararam, o índice sul-coreano Kospi subiu 5,1% e o japonês Nikkei 3,6%, enquanto o preço do petróleo afundou. O barril de crude norte-americano caiu quase 5%, para cerca de 81 dólares, e o Brent, a referência usada na Europa, recuou perto de 4%.
O otimismo estendeu-se à Europa e aos Estados Unidos. Na abertura europeia, o índice europeu Stoxx 600 avançou 1,2%, com a bolsa de Paris (CAC 40) a liderar os ganhos, ao subir 1,9%, seguida da bolsa alemã (DAX), com mais 1,8%. Em Milão, o FTSE MIB somou 1,4%, enquanto a bolsa de Londres (FTSE 100) ficou-se por 0,8%, penalizada pela queda das ações do setor energético, que recuaram com a descida do petróleo.
Esta subida foi transversal aos diversos setores. Os fabricantes de automóveis dispararam 3,7%, o setor da construção subiu 3,2% e as viagens e lazer valorizaram 2,8%.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street seguiu o mesmo rumo. O Dow Jones subiu 1,2%, o S&P 500 ganhou 1,3% e o índice tecnológico Nasdaq avançou 2,2%. Durante meses, o receio em torno do conflito fez disparar os preços da energia e manteve os investidores em alerta, mas a perspetiva de paz veio aliviar boa parte dessa tensão.
O que está em jogo vai muito além das bolsas. O Estreito de Ormuz, uma das rotas de transporte de petróleo mais importantes do mundo, esteve praticamente fechado desde o final de fevereiro, o que encareceu a energia e ajudou a aumentar a taxa da inflação em várias economias. Nos Estados Unidos, os preços subiram 4,2% em maio, face ao período homólogo, o valor mais alto do últimos três anos. Com o petróleo mais barato, alivia-se a pressão sobre as famílias e as empresas, e os bancos centrais ganham algum espaço de manobra, numa altura em que o Banco Central Europeu já subiu a taxa de juro pela primeira vez desde 2023 e espera-se agora que a Reserva Federal norte-americana faça o mesmo até ao final do ano.
Ainda assim, há motivos para cautela. O acordo só será assinado na sexta-feira, os detalhes continuam por esclarecer, e este conflito já mostrou, mais do que uma vez, que as notícias podem mudar de um dia para o outro.
