
O mercado de data centers de IA tornou-se um dos principais campos de batalha da tecnologia. São estes centros de dados que fazem funcionar a cloud e, cada vez mais, a Inteligência Artificial usada por empresas e governos. Depois da popularidade de ferramentas como o ChatGPT, acelerou-se a construção das chamadas “fábricas de IA”, mudando também o tipo de tecnologia mais procurada, menos foco nos processadores tradicionais e mais em chips focados em inteligência artificial, capazes de lidar com enormes volumes de cálculos em simultâneo.
Neste novo ciclo de investimento, a Nvidia destacou-se claramente. Em poucos anos, a empresa passou de cerca de 25% para perto de 86% da quota de mercado em receitas de data centers e IA, segundo dados agregados do setor. Mais do que vender chips, a Nvidia construiu uma solução integrada, que junta hardware, redes e software, facilitando a vida a quem está a montar estes grandes centros de dados para IA. A escala atingida é visível nos números. No 3º trimestre de 2025, a empresa reportou mais de 51 mil milhões de dólares em receitas neste segmento.
Já a Intel viveu o movimento inverso. De líder histórica dos data centers, perdeu terreno num período marcado por atrasos no lançamento de novos chips, precisamente quando o mercado começou a canalizar mais orçamento para tecnologia ligada à inteligência artificial. A mudança rápida das prioridades dos clientes deixou a empresa menos exposta ao segmento de crescimento mais acelerado da indústria.
A AMD, por sua vez, tenta ganhar quota com uma oferta mais equilibrada, combinando chips para servidores com soluções específicas para IA. A empresa tem registado um crescimento forte nas receitas de data centers (aumentaram 65% no último ano) e procura afirmar-se junto dos grandes clientes, numa altura em que ter alternativas à Nvidia é visto como essencial, tanto por razões de custo como de risco operacional. A disputa está longe de terminada, mas, para já, a vantagem de escala e de ecossistema continua claramente do lado da Nvidia.
