O preço do petróleo voltou a subir nos últimos dias e ultrapassou a fasquia dos 100 dólares por barril, algo que já não acontecia desde 2022. Desde o início do ano, os principais preços de referência do petróleo, o Brent (mais usado na Europa) e o WTI (referência nos Estados Unidos) acumulam uma valorização próxima de 75%. Esta subida dos preços tem sido alimentada pela guerra no Médio Oriente e, sobretudo, pelos receios em torno do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, o que faz desta rota um ponto crítico para a economia global. Com o tráfego marítimo fortemente condicionado e vários navios relutantes em atravessar a zona por receio de ataques, os países do Golfo começaram a reduzir a produção, não por escassez da matéria-prima, mas porque estão a acumular reservas sem conseguir escoar com normalidade. No Iraque, por exemplo, a produção de 3 dos principais campos petrolíferos já caiu cerca de 70%, enquanto a Arábia Saudita e o Kuwait também já ajustaram os volumes de exploração.
Esta subida do petróleo está a reacender o receio de uma nova vaga inflacionista. Quando a energia fica mais cara, o impacto acaba por chegar a várias áreas do dia a dia, dos combustíveis aos transportes, passando pelos custos de produção e, em muitos casos, pelos preços finais pagos pelos consumidores. Regiões e países mais dependentes de importações, como a Europa, a Índia e sobretudo a China, ficam mais expostos a este choque. A China, além de ser o maior importador mundial de crude, compra mais de 90% do petróleo exportado pelo Irão, o que aumenta a sensibilidade da economia chinesa a qualquer agravamento do conflito.
Ao mesmo tempo, este cenário pode acabar por favorecer alguns produtores fora da OPEP, em especial os Estados Unidos, que hoje têm um peso muito relevante na produção e exportação mundial de petróleo. Em cima da mesa está até a possibilidade dos EUA suspenderem as exportações para proteger o mercado interno e travar uma subida ainda maior dos preços no país, uma solução que poderia ser positiva para os consumidores americanos, mas bastante negativa para os países importadores.
Ainda assim, o desfecho continua em aberto. Historicamente, choques fortes no preço do petróleo acabam por aumentar a pressão económica e política sobre os vários intervenientes, podendo levar a ajustes diplomáticos. Para já, a evolução do conflito continua a ser acompanhada com atenção, não só pelas consequências económicas, mas também pelo impacto humano e pela instabilidade que pode continuar a gerar dentro e fora da região.
