
Sempre que surge um grande evento geopolítico, seja uma guerra, um ataque terrorista ou uma crise internacional, os mercados financeiros reagem quase de imediato. Nos últimos dias, as tensões no Médio Oriente voltaram a trazer volatilidade às bolsas, com oscilações mais fortes e investidores a tentar perceber quais poderão ser as consequências económicas. Nestes momentos, surgem muitas dúvidas. Poderá a inflação subir? O petróleo vai disparar? O conflito vai prolongar-se? A verdade é que raramente existe uma resposta clara.
Historicamente, a reação inicial dos mercados costuma ser marcada por alguma instabilidade. É comum ver quedas nas bolsas, subida do preço do petróleo e maior procura por “ativos de refúgio”, como o ouro ou as obrigações. Estes movimentos refletem sobretudo o receio e a incerteza dos investidores face a acontecimentos difíceis de prever.
No entanto, quando se olha para um horizonte mais alargado, o comportamento das bolsas tende a melhorar. Dados históricos mostram que, após grandes eventos geopolíticos, o índice S&P 500 apresenta em média uma ligeira queda de cerca de 0,9% no primeiro mês. Já três meses depois, o retorno médio passa a positivo (0,8%) e aumenta para 3% após um ano. A probabilidade de o mercado estar com retornos positivos, após estes choques, também aumenta com o tempo, cerca de 46% após um mês, mas mais de 60% após seis meses.
Isto acontece porque, apesar do impacto imediato, os mercados acabam por refletir sobretudo a evolução da economia e dos lucros das empresas. Quando esses fundamentos permanecem sólidos, os choques geopolíticos tendem a ter um impacto mais temporário do que estrutural. Assim, embora estes eventos gerem receio e volatilidade no curto prazo, é o crescimento económico e a capacidade das empresas de gerar lucros que acabam por determinar a direção dos mercados no longo prazo.
