O Banco Central Europeu (BCE) decidiu, na reunião de ontem, manter as taxas de juro inalteradas nos 2%, uma decisão já esperada pelos mercados e pelos economistas. É a quinta reunião consecutiva sem alterações na política monetária, num contexto em que a economia da zona euro tem mostrado uma resiliência acima do previsto e a inflação continua a aproximar-se do objetivo do banco central.
Os dados mais recentes ajudaram a sustentar essa decisão. A inflação caiu em janeiro para 1,7%, enquanto a inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, desceu para 2,2%, o valor mais baixo desde 2021. Do lado do crescimento económico, o Produto Interno Bruto da zona euro aumentou 0,3% no último trimestre de 2025, ligeiramente acima das expectativas, com o BCE a destacar também o baixo desemprego, o investimento público em defesa e infraestruturas e a solidez financeira das empresas.
Nas palavras da presidente do BCE, Christine Lagarde, “a inflação está num bom lugar”, sublinhando que a política monetária não deve reagir de forma precipitada a um único dado mensal. O Conselho do Banco Central Europeu reconheceu ainda que a recente valorização do euro tem um efeito desinflacionista, ao tornar as importações mais baratas, mas considerou que esse impacto já está refletido no cenário central de inflação para os próximos anos.
Apesar de alguns investidores continuarem a admitir uma pequena probabilidade de um novo corte de juros ainda em 2026, a mensagem do BCE foi clara, para já, não há pressa em mexer nas taxas. A instituição prefere manter o estado de “piloto automático”, avaliando a evolução da inflação e da economia ao longo do tempo, num ambiente global ainda marcado por incerteza, mas onde a zona euro tem, para já, conseguido manter o rumo.
