Quatro vezes por ano, as empresas cotadas divulgam ao mercado o desempenho dos últimos três meses. São as chamadas apresentações de resultados trimestrais, normalmente divulgadas algumas semanas após o fecho de cada trimestre. Para os mercados, estes momentos são cruciais, é aqui que se confirma se a empresa está a crescer como prometido, se os lucros acompanham as expectativas e quais são as guidelines para o futuro da empresa. Não é por acaso que, nestes dias, a atenção dos investidores aumenta e a volatilidade tende a ser maior.
É importante saber para onde olhar. As receitas mostram se a empresa está a vender mais ou menos; os lucros indicam se esse crescimento é saudável; e a dívida ajuda a perceber se o negócio está equilibrado ou demasiado alavancado. Para lá dos números, há ainda a mensagem da equipa de gestão, muitas vezes apresentada numa conferência com analistas, onde se explica o que correu bem, o que correu mal e o que se espera para os próximos meses/anos. O tom dessas declarações é, por vezes, tão relevante como os resultados em si.
Outro ponto essencial é comparar o que foi apresentado com o que o mercado esperava. Uma empresa pode ter lucros a crescer e, ainda assim, ver a sua ação cair se os resultados ficarem abaixo das expectativas. Da mesma forma, resultados apenas “razoáveis” podem ser bem recebidos se superarem o que estava antecipado. Isto ajuda a explicar porque é que, muitas vezes, as reações do mercado parecem contraintuitivas para quem olha apenas para os números absolutos.
No final, as apresentações de resultados devem ser vistas como um exercício de acompanhamento e não como um gatilho para tomadas de decisão emocionais. Servem para confirmar se a história de longo prazo de uma empresa continua intacta, se os riscos estão a aumentar ou se surgem sinais de alerta que merecem atenção. Para quem investe, estes momentos são para garantir que o investimento continua a fazer sentido.
