
A Anthropic, que desenvolve o assistente de inteligência artificial Claude, tornou público a 26 de outubro, junto do regulador norte-americano (SEC), o prospeto da sua oferta pública inicial (IPO). As ações vão ser negociadas no Nasdaq com o símbolo “ANT”. Segundo a Bloomberg, a estreia em bolsa poderá acontecer já em meados de novembro.
O número de ações e o intervalo de preços ainda não foram fixados, mas o Wall Street Journal avança que a oferta poderá rondar os 100 mil milhões de dólares. Se o valor se confirmar, será a maior entrada em bolsa da história, acima dos 86 mil milhões angariados pela SpaceX em junho. A imprensa norte-americana aponta para uma avaliação entre 1,5 e 2 biliões de dólares, face aos 965 mil milhões em que a Anthropic foi avaliada em maio, na última ronda de financiamento.
No primeiro semestre, as receitas da empresa atingiram 16,3 mil milhões de dólares, 14 vezes o valor do mesmo período do ano anterior e mais do triplo do total de 2025. O prejuízo líquido foi de 80,7 mil milhões, mas 72,4 mil milhões resultam de um efeito contabilístico. No segundo trimestre, a empresa registou o primeiro lucro operacional, de 974 milhões. No terceiro trimestre, a empresa reportou um abrandamento no crescimento para 45% face ao trimestre anterior, com receitas de 16,8 mil milhões, segundo números não auditados apresentados aos investidores a 14 de outubro.
Impacto nos mercados e riscos
Este IPO é visto como um teste ao interesse dos investidores pela IA, antes da estreia da OpenAI, dona do ChatGPT, esperada em 2027. A divulgação do prospeto contribuiu para renovar esse interesse, e se a Anthropic ficar entre as 40 maiores empresas do Nasdaq100, em valor de mercado, as regras do índice permitem incluí-la ao fim de 15 sessões, o que obrigaria os fundos que o replicam a comprar ações da empresa.
A Anthropic assumiu com empresas como Amazon, Google, Microsoft, Broadcom e SpaceX contratos de capacidade computacional e infraestrutura que, nas contas do New York Times, podem somar até 807 mil milhões de dólares, parte dos quais não pode ser cancelada mesmo que o crescimento abrande. Entre outros riscos, o prospeto destaca a regulação e a própria tecnologia, que a empresa admite poder representar um risco “catastrófico ou existencial” para a humanidade. Após a entrada em bolsa, os sete cofundadores, incluindo o presidente executivo, Dario Amodei, deterão 50,1% dos direitos de voto.
