A Nvidia voltou a superar as suas próprias previsões. A empresa que lidera o mercado dos processadores para inteligência artificial fechou o segundo trimestre de 2026 com receitas de 96 mil milhões de dólares, um aumento de 106% face ao mesmo período do ano anterior e acima dos 91 mil milhões que a própria empresa tinha como guidance. Para o próximo trimestre, aponta para 108 mil milhões, o equivalente a um crescimento anual de 89%.
O dado que mais surpreendeu, no entanto, tem a haver com o seu futuro. A Nvidia estima que as receitas cresçam 70% em 2028, o que a aproximaria dos 700 mil milhões de dólares em receitas anuais. A empresa sublinhou que esta projeção está limitada pela capacidade de produção dos seus fornecedores e não pela procura, o que sugere que o número poderá revelar-se conservador. Em paralelo, calcula que os maiores clientes norte-americanos, os grandes operadores de centros de dados como Microsoft, Amazon, Google e Meta, invistam 1,3 biliões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial no próximo ano.
Também ontem, a Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp aceitou pagar cerca de 16,7 mil milhões de dólares para resolver as ações relacionadas com a proteção de menores nas suas plataformas e comprometeu-se também a aplicar mais 18 mil milhões, ao longo da próxima década, em programas de segurança online para jovens. Mas alterações aos seus produtos são a parte mais impactante para a empresa, com o limite predefinido de duas horas diárias de utilização para menores de 18 anos, que só um dos progenitores pode alterar; bloqueio do acesso entre a meia-noite e as seis da manhã; ocultação do número de gostos e reações nas publicações; verificações de idade mais exigentes; e supervisão por um auditor independente durante cinco anos.
Os adolescentes representam menos de 10% dos utilizadores da Meta nos Estados Unidos e uma parcela ainda menor das receitas. O montante a pagar, diluído por dez anos, corresponde a menos de 1% do valor de mercado da empresa. A questão que continua em aberto é outra. Quanto irá render os milhares de milhões que as tecnológicas estão a investir em inteligência artificial? A Meta aparenta ter três vias principais de monetização. A melhoria do seu negócio core, a publicidade digital; a venda de acesso dos seus modelos a clientes externos e cedência da capacidade de computação excedentária a outros laboratórios de inteligência artificial. Esta última é um negócio que a empresa deverá formalizar nos próximos trimestres, com um possível contributo relevante para as contas a partir de 2027.
