
As ações ligadas a infraestruturas de inteligência artificial registaram uma forte queda esta quinta-feira em Wall Street. A meio da tarde, a AMD e a Micron caíam mais de 15%, a Broadcom mais de 9% e a Nvidia mais de 5%. As quedas atingiram também as grandes tecnológicas que estão a investir na construção de centros de dados. A Meta recuava mais de 5% e a Amazon, a Alphabet (dona da Google) e a Microsoft cerca de 3%. O índice Nasdaq chegou a cair cerca de 5,5% durante a sessão, acumulando uma descida superior a 10% face ao máximo histórico de outubro.
Estas quedas intensificaram-se após as eleições intercalares de terça-feira, em que os democratas conquistaram o controlo das duas câmaras do Congresso e de vários estados. Vários dos eleitos fizeram campanha por regras mais apertadas para os centros de dados, devido ao seu impacto nas faturas de eletricidade e no consumo de água. No Texas, um dos estados com mais projetos, a governadora eleita defendeu a suspensão da construção de novos centros de dados até que o estado aprove medidas para mitigar esses impactos. Os investidores receiam ainda que o novo Congresso, que toma posse em janeiro, reforce o escrutínio sobre o setor e avance com regras mais exigentes para os próprios modelos de IA.
A principal preocupação é que a construção de centros de dados abrande, reduzindo as encomendas de chips, memória e servidores, bem como a procura de energia. Por isso, as perdas estenderam-se a toda a cadeia de fornecedores, das empresas de armazenamento de dados, que chegaram a cair entre 15% e 20%, aos fabricantes de equipamento elétrico. Estas perdas acentuaram a tendência negativa das últimas semanas, marcada por dúvidas sobre o ritmo e o financiamento dos investimentos em IA. Fora dos EUA, a Samsung e a ASML também estiveram em queda.
Investidores procuram setores defensivos
Enquanto as tecnológicas caíam, os investidores procuravam empresas de setores mais defensivos, cujos produtos os consumidores continuam a comprar independentemente da conjuntura económica. A Coca-Cola, a PepsiCo, a Procter & Gamble e o Walmart subiam mais de 1%, tal como as farmacêuticas Johnson & Johnson e Merck. Segundo o Morgan Stanley, o novo Congresso poderá rever os cortes na despesa federal com saúde e apoio alimentar, o que favoreceria precisamente estes setores. O banco considera, ainda assim, que o ciclo de investimento em IA deverá manter-se, apesar do risco de atrasos em alguns projetos.