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J.P. Morgan mantém sobreponderação em ações

escrito por MoneyLab 17/07/2026

A J.P. Morgan Asset Management mantém uma visão positiva sobre os ativos de risco e continua a sobreponderar ligeiramente as ações nas suas carteiras, apesar de ter revisto em baixa as expectativas de crescimento face ao início do ano. Esta foi uma das principais mensagens de Lucía Gutiérrez-Mellado, diretora de estratégia para Espanha e Portugal da J.P. Morgan Asset Management, na apresentação do Guide to the Markets para o terceiro trimestre de 2026, a que a MoneyLab esteve presente.

Nesta análise a meio de ano, a gestora reconheceu que 2026 tem seguido um rumo diferente do previsto no arranque, marcado pelo conflito no Médio Oriente, mas sublinhou que as economias, sobretudo a norte-americana, têm resistido razoavelmente bem.

Segundo trimestre positivo, liderado pelos mercados emergentes

Os mercados acionistas fecharam um segundo trimestre positivo, liderados pelos mercados emergentes. Entre os mercados desenvolvidos, o índice norte-americano valorizou cerca de 15% no trimestre, enquanto a Europa beneficiou da desescalada do conflito. A gestora identificou dois motores para este desempenho: o alívio das tensões geopolíticas e o aumento do interesse por inteligência artificial.

Este contexto favoreceu uma nova rotação de estilos de investimento, com o fator crescimento a voltar a superar o fator valor. Do lado obrigacionista, os ativos de maior risco, como a dívida de mercados emergentes e o high yield, encerraram em terreno positivo, enquanto a dívida pública praticamente não se moveu no ano, pressionada pelo receio de uma inflação mais alta. O pior desempenho coube às matérias-primas, com o petróleo a cair cerca de 38% e o ouro também a recuar.

Queda do petróleo alivia a pressão sobre a inflação

Antes de analisar o consumo, Lucía Gutiérrez-Mellado olhou também para a evolução do preço do petróleo, uma das principais consequências económicas negativas do conflito. O barril chegou a subir até aos 120 dólares, mas corrigiu de forma acentuada.

“Uma das coisas que mais nos surpreendeu foi a rapidez desta descida”, admitiu a estratega, notando que a correção ocorreu mesmo antes de existir total visibilidade sobre o desfecho da guerra.

Para a J.P. Morgan, esta queda deve-se a dinâmicas que vão além do conflito. Do lado da procura, o mercado começa a assumir que a China precisa de menos petróleo, fruto de uma maior eletrificação e de um consumo mais eficiente, e não de uma travagem abrupta da economia. Do lado da oferta, os países envolvidos no conflito optaram por aumentar a produção ao reabrir os canais, em vez de gerar escassez para sustentar preços mais altos, um movimento reforçado pela saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP.

“A queda do preço do petróleo é claramente favorável para o consumo.”

Consumo europeu deve recuperar com o fim da guerra

O consumo foi precisamente o primeiro motor de crescimento da economia a ser afetado pela guerra, num ano em que a J.P. Morgan esperava a sua recuperação, sobretudo na Europa, favorecida pela descida de juros do Banco Central Europeu e por uma inflação mais próxima do objetivo. A gestora recordou que os europeus mantêm uma taxa de poupança bastante mais elevada do que a dos norte-americanos, que ao longo dos últimos anos foram consumindo as poupanças acumuladas.

O cenário base da gestora aponta para um fim do conflito no curto prazo, o que deverá devolver confiança ao consumidor europeu.

“A ninguém interessa que esta guerra se prolongue. Por isso, deveríamos ver, no curto prazo, as partes a chegar finalmente a um acordo final”, afirmou Lucía Gutiérrez-Mellado.

Afastou ainda um regresso ao cenário de 2022, quando a inflação foi impulsionada por uma forte pressão salarial.

“O que o consumidor europeu não queria era voltar a viver um cenário como o de 2022, e nós pensamos que estamos num cenário diferente”, destacou, notando que os mercados de trabalho não apresentam hoje o mesmo grau de tensão.

Bancos centrais sem pressa para mexer nas taxas

Este enquadramento condiciona também a leitura sobre a política monetária. O mercado continua a descontar uma nova subida de taxas por parte do Banco Central Europeu e outra por parte da Reserva Federal, mas a J.P. Morgan afasta-se desta expectativa.

“De momento, não vemos necessidade de o Banco Central Europeu voltar a subir as taxas, nem vemos que a Fed deva ter pressa em subir os juros”.

A responsável destacou ainda o primeiro discurso do novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh.

“Foi um discurso muito mais hawkish do que se esperava, e isso agradou, porque foi interpretado como uma mensagem de independência”.

Inteligência artificial alarga-se a novos setores

A inteligência artificial voltou a dominar a apresentação. Para a J.P. Morgan, o tema mantém-se central e com um potencial de transformação profundo.

“Pensamos que vai ser transformadora, tanto para as economias como para as empresas.”

A gestora identificou vários sinais positivos. A adoção da tecnologia está a alargar-se para lá do setor onde estava concentrada, um ponto que considera essencial para justificar o forte investimento realizado. Além disso, o mercado começa a diferenciar entre empresas dentro do próprio setor, valorizando os fundamentais. A responsável apontou também uma mudança de exigência face aos hiperscalers, cujo investimento previsto nos Estados Unidos ronda os 697 mil milhões de dólares.

Entre os segmentos, os semicondutores são aqueles onde se esperam os crescimentos de resultados mais fortes, mas, a J.P. Morgan defende, ainda assim, uma exposição diversificada e global ao tema, sublinhando que já não é apenas nos Estados Unidos que os investidores podem aceder à inteligência artificial. Enquanto o mercado norte-americano aposta em construir os modelos mais avançados, outras regiões, como a China, privilegiam uma adoção mais rápida e barata, junto das pequenas e médias empresas.

Carteiras mantêm sobreponderação em ações

No que toca ao posicionamento, a gestora mantém a sobreponderação em ações que assumiu no início do ano.

“Mantemos uma visão positiva nos ativos de risco. Começámos o ano sobreponderados em ações, e mantemos esse posicionamento.”

Na componente obrigacionista, e ao contrário do que sucedeu em 2022, a J.P. Morgan considera que faz sentido ter exposição a dívida pública, quer pela capacidade de diversificação, quer pelos níveis de rendimento, atualmente atrativos.

Do lado das ações, a gestora sublinhou a solidez dos fundamentais nos Estados Unidos, com sete trimestres consecutivos de crescimento de resultados acima dos 10% e a expectativa de dois trimestres seguidos acima dos 20%. A Europa mantém-se como o elo mais fraco, com uma recuperação de resultados que continua dependente do fim da guerra. Apesar das subidas registadas, as valorizações apresentam-se hoje mais atrativas do que no início do ano, sobretudo graças ao forte crescimento dos lucros.

J.P. Morgan mantém sobreponderação em ações was last modified: Julho 17th, 2026 by MoneyLab

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