
O fator momentum está a ser o grande protagonista do mercado. Em 2026, a estratégia de investimento que consiste, de forma simplificada, em comprar as ações que mais têm subido, está a superar todas as outras abordagens no mercado norte-americano, com um retorno acumulado próximo de 40% desde o início do ano até ao final de junho. Nenhum outro “estilo de investimento”, nem sequer nas bolsas internacionais, se aproxima deste desempenho, o que devolve à ribalta um dos temas mais debatidos em gestão de ativos, o investimento por fatores.
Os “fatores” são características comuns que ajudam a explicar por que razão certos grupos de ações tendem a comportar-se de forma parecida ao longo do tempo. O momentum é, talvez, o mais intuitivo e, ao mesmo tempo, o mais desconcertante, parte da ideia de que aquilo que sobe tende a continuar a subir, pelo menos durante algum tempo. A lógica assenta menos nos números das empresas e mais no comportamento recente da ação e dos investidores, que costumam perseguir os títulos vencedores. Funciona às vezes de forma notável mas, como qualquer estratégia, não funciona para sempre.
Para além do momentum, existem outros cinco fatores clássicos. O fator Valor procura empresas baratas face aos seus fundamentais; o fator Qualidade privilegia negócios sólidos e rentáveis; o fator Baixa Volatilidade favorece as ações mais estáveis e defensivas; o fator Crescimento privilegia empresas que crescem receitas e lucros a um ritmo elevado; e o Rendimento (shareholder yield) valoriza as empresas com bons dividendos e que recompram ações próprias.
Os dados deste ano revelam que, nas bolsas internacionais, todos estes fatores estão a superar os seus equivalentes norte-americanos, com uma única exceção, o momentum, onde os Estados Unidos mantêm uma vantagem clara. Ainda assim, o momentum foi também o fator com maior valorização fora dos EUA, o que confirma a outperformance deste fator um pouco por todo o mundo.
Há, no entanto, uma ressalva importante. O que funciona num ano, pode ficar para trás no seguinte. Em 2025, foram o Valor, a Baixa Volatilidade e o Rendimento nos mercados internacionais a destacar-se, e as ações de Crescimento superaram o Momentum no mercado americano, precisamente o contrário do que se vê agora. Não existe uma fórmula para adivinhar qual o fator vencedor em cada ano. Restam, portanto, dois caminhos: escolher um ou dois fatores e mantê-los com disciplina, aceitando que qualquer estratégia de investimento passa por fases boas e más; ou diversificar o suficiente para captar os vencedores que compensem os perdedores.
A decisão depende, como em quase tudo nos investimentos, dos objetivos, do contexto e do perfil de risco de cada investidor.
