
Tentar adivinhar o momento certo para entrar e sair da bolsa é um dos erros mais frequentes, e mais penalizadores, do investidores. Segundo dados da J.P. Morgan Asset Management, nos últimos 20 anos, quem se manteve totalmente investido no índice norte-americano S&P 500 obteve um retorno anualizado de 10,60%. Bastou perder os 10 melhores dias desse período para a retorno anualizado cair para 6,37%. Quem falhou as 30 melhores sessões ficou com uns escassos 1,53% ao ano. São apenas algumas dezenas de sessões perdidas ao longo de vários anos, mas o efeito na carteira é substancial, precisamente porque estes dias representam uma parte substancial dos ganhos totais acumulados.
Acontece que os melhores e os piores dias tendem a surgir muito próximos uns dos outros. A análise histórica mostra que ambos tendem a surgir agrupados nos períodos de maior volatilidade: o rebentar da bolha tecnológica de 2000, a crise financeira de 2008, a pandemia em 2020 ou a correção provocada pela inflação em 2022. A explicação está na própria natureza da volatilidade, quando o receio se instala, as emoções amplificam os movimentos em ambos os sentidos, com vendas em pânico a serem rapidamente seguidas por recuperações abruptas impulsionadas por compras a preços mais baixos e respostas da política monetária.
7 dos 10 melhores dias das últimas décadas ocorreram, aliás, num intervalo de apenas 15 dias em relação a alguns dos piores dias.
Esta proximidade explica por que razão a tentativa de evitar as quedas quase sempre acaba por sacrificar também as recuperações. Quem vende para escapar aos períodos mais negativos encontra-se, com frequência, fora do mercado quando chega a recuperação, que costuma surgir muito próxima dos mínimos, e sem grande aviso prévio.
Para o investidor de longo prazo, mais do que acertar no momento, o que tende a compensar é o tempo de permanência no mercado. Manter um plano bem definido e resistir à tentação de reagir ao ruído de curto prazo revela-se, historicamente, uma estratégia mais fiável do que qualquer tentativa de antecipar os movimentos da bolsa.
