O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira aumentar as taxas de juro em 0,25 pontos percentuais, a primeira subida desde 2023. Com esta decisão, a taxa de referência para os depósitos passa dos atuais 2% para 2,25%, com efeitos a partir de 17 de junho. A inversão de rumo, depois de meses em que se discutiam cortes, explica-se sobretudo pela inflação, que voltou a acelerar na Europa, em grande parte devido à subida dos preços da energia associada ao conflito com o Irão (tendo já passado o marco dos 100 dias de guerra) e às perturbações no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Por trás da decisão está um número que preocupa o banco central. A inflação na zona euro subiu para 3,2% em maio, bem acima da meta de 2% que o BCE considera saudável para a economia. Quando os preços sobem depressa demais, o principal mecanismo do banco central é precisamente o aumento das taxas de juro, ao tornar os empréstimos mais caros, arrefece o consumo e o crédito e, com isso, trava a escalada dos preços. Os mercados antecipam que esta poderá não ser a única subida do ano, ainda que o BCE tenha, ao mesmo tempo, revisto ligeiramente em baixa as previsões de crescimento para a economia europeia (0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028), um sinal de que travar a inflação acarreta riscos para o crescimento da economia.
Para a maioria das famílias portuguesas, o efeito mais direto sente-se no crédito à habitação. Como grande parte destes empréstimos em Portugal estão indexados à Euribor, a taxa que tende a acompanhar as decisões do BCE, uma subida dos juros traduz-se, regra geral, em prestações mais altas no final do mês. Há, no entanto, o outro lado da moeda, quem tem algum dinheiro de parte pode voltar a ver os depósitos a prazo e outras aplicações de baixo risco a render um pouco mais.
