Os Estados Unidos continuam a ser um dos mercados de eleição da J.P. Morgan Asset Management e nem a desvalorização da moeda norte-americana deverá afastar os investidores europeus. A convicção foi deixada por Elena Domecq, estratega-chefe do JPMorgan Asset Management (AM) para Portugal, no âmbito da apresentação do Guide to the Markets para o primeiro trimestre de 2026.
Questionada pelo MoneyLab sobre se um ano particularmente penalizador do ponto de vista cambial, em que os investidores europeus com exposição aos EUA viram o retorno das suas carteiras pressionado pela desvalorização do dólar, justificaria uma redução da alocação ao mercado norte-americano em favor da Europa, a gestora respondeu que o foco deve estar na gestão do risco cambial, e não numa redução da exposição ao mercado norte-americano.
“Os Estados Unidos continuam a ser um mercado necessário nas carteiras, pela qualidade das empresas e pela consistência dos resultados. O risco cambial existe, mas deve ser gerido através de cobertura, não através da saída do mercado”, afirmou Elena Domecq
Apesar da pressão cambial, Elena considera que a economia norte-americana mantém fundamentos sólidos, sustentados pelo consumo e pela capacidade de as empresas gerarem resultados, o que continua a justificar a sua relevância numa estratégia de longo prazo.
Europa com fundamentos em melhoria, mas sem substituir os EUA
Também a Europa merece uma leitura mais construtiva, segundo a J.P. Morgan AM, beneficiando de uma mudança gradual para uma política fiscal expansionista e de expectativas de descida de juros. Ainda assim, a gestora não vê o mercado europeu como um substituto direto dos Estados Unidos, mas sim como um complemento numa lógica de diversificação geográfica.
“Elas são economias diferentes, com motores de crescimento distintos. A Europa pode ganhar atratividade, mas isso não significa reduzir estruturalmente a exposição aos EUA”, sublinhou a estratega.
Seletividade é chave num contexto de elevada dispersão
Num ambiente marcado por elevada dispersão de retornos, a J.P. Morgan AM insiste que a seletividade será determinante, tanto a nível regional como setorial. Entre os setores em destaque, a tecnologia continua a merecer uma visão positiva, incluindo a Inteligência Artificial, ainda que com uma abordagem prudente.
“Mantemos uma perspetiva positiva para a IA, mas o desenvolvimento será desigual e nem todas as empresas serão vencedoras. A seleção é essencial”, referiu Elena Domecq, afastando cenários de alarmismo em torno de uma bolha iminente.
A gestora destacou ainda o setor financeiro, que poderá beneficiar de um ciclo de descida de juros, bem como os mercados emergentes, em particular a região Ásia-Pacífico, que apresenta perspetivas mais atrativas.
Obrigações voltam a ganhar espaço nas carteiras
No segmento obrigacionista, a J.P. Morgan AM mostrou-se positivo, considerando que as yields continuam atrativas e que a classe de ativos recupera relevância como instrumento de proteção e diversificação. A preferência recai sobre obrigações de menor duração, reduzindo a sensibilidade a oscilações das taxas de juro, com destaque para a dívida soberana dos mercados emergentes.
Num cenário ainda marcado por incerteza macroeconómica, a mensagem central da gestora passa por manter disciplina, diversificação e uma abordagem seletiva, evitando decisões precipitadas em resposta à volatilidade de curto prazo.
