
A inflação nos Estados Unidos pode estar longe de ser um problema já resolvido. Embora tenha recuado bastante face ao pico em 2021-2022, a Reserva Federal continua a enfrentar um dilema bastante difícil, se quiser trazer a inflação de volta à sua meta de 2%. O Banco Central americano poderá ter de manter os juros elevados durante mais tempo do que muitos investidores esperavam. A questão é que, à medida que a inflação foi descendo, as taxas de juro de curto prazo também foram sendo ajustadas, o que significa que a política monetária pode já não estar a travar o recente crescimento da inflação.
Os dados macroeconómicos mais recentes mostram bem essa dificuldade. Em março, os preços no consumidor subiram 3,3% face ao mesmo mês do ano passado, o valor mais elevado em dois anos. Grande parte desta aceleração foi explicada pela subida dos preços da energia, devido ao impacto da guerra com o Irão no preço do petróleo. Ainda assim, excluindo os setores mais voláteis, como energia e alimentos, a inflação subjacente mostrou um ritmo mais contido, o que sugere que a pressão nos preços pode não estar a alastrar de forma generalizada a toda a economia.
Para a Fed, o problema é precisamente esse equilíbrio delicado, ou seja, reduzir a taxa de juro demasiado cedo pode dar novo fôlego à inflação, mas aumentá-la pode causar um abrandamento económico e pressionar famílias e empresas. Entretanto, a confiança dos consumidores já deu sinais de fraqueza, refletindo o receio de que o aumento dos custos da energia acabe por chegar a outras despesas do dia a dia, dos transportes à alimentação. Os mercados começam, por isso, a ajustar expectativas para um cenário em que os juros fiquem altos durante mais tempo, e inclusivé tenham de voltar a subir.
No meio desta incerteza, uma das vozes que tem alertado para este risco é Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, que considera que o verdadeiro perigo seria a inflação voltar a subir lentamente em vez de continuar a descer. Este cenário poderá levar a aumentos da taxa de juro e pressionar o valor de muitos ativos financeiros, num momento em que os mercados ainda tentam perceber até onde é que os bancos centrais poderão ter de ir.
E este não é um problema exclusivo dos Estados Unidos, também na Zona Euro, a inflação anual acelerou para 2,6% em março, depois de 1,9% em fevereiro, demonstrando que a pressão sobre os preços continua presente em várias economias.
