
A indústria dos robotáxis, automóveis que circulam sem condutor, teve uma semana com vários anúncios importantes. Na terça-feira, a Waymo, detida pela Alphabet (a dona da Google), começou a cobrar viagens sem condutor em Denver, San Diego e Tampa, passando a ter operação comercial em 14 cidades dos Estados Unidos. A empresa tem mais de 4.000 veículos em circulação, faz atualmente mais de 500 mil viagens pagas por semana e tem como objectivo chegar a um milhão de viagens semanais até ao final do ano. No mesmo dia, a Zoox, da Amazon, anunciou o arranque de testes em Houston e San Diego, ainda com condutores de segurança a bordo, o que eleva a 12 o número de mercados onde está presente. E, ontem, a Tesla apresentou o Cybercab, um modelo de dois lugares construído sem volante nem pedais.
A distância entre as principais empresas desta indústria, neste momento, é considerável. AA Waymo é a que tem o serviço comercial disperso por mais cidades, 14 no total. Londres deverá ser a primeira expansão para o mercado internacional, ainda dependente de autorização dos reguladores britânicos, seguindo-se Tóquio e Munique, esta última com abertura comercial prevista para o final de 2027.
A Zoox só cobra viagens em Las Vegas e mantém em São Francisco um serviço gratuito para um grupo restrito de utilizadores. A Tesla opera em seis cidades e aposta num sistema mais barato, com a expectativa de o conseguir replicar em grande escala.
Já a Uber e a Lyft escolheram um caminho diferente. Em vez de desenvolverem a tecnologia, colocam nas suas aplicações os veículos autónomos de terceiros e ficam com uma parte da receita. Esta semana, a Uber anunciou o despedimento de cerca de 3.300 pessoas, 10% dos trabalhadores administrativos, para libertar capital para reforçar a aposta nesta nova tecnologia.
Por trás desta corrida, está uma expectativa de crescimento acentuado. Segundo estimativas da Goldman Sachs Research, o mercado norte-americano de robotáxis deverá passar de cerca de 3 mil milhões de dólares no próximo ano para 19 mil milhões em 2030 e 48 mil milhões em 2035. À escala global, o relatório aponta para aproximadamente 415 mil milhões de dólares em 2035, com a frota comercial de veículos autónomos a crescer de cerca de 7.000 unidades no ano passado para perto de 6 milhões.
Uma parte relevante deste valor não vem das viagens, mas do software. A receita ligada à tecnologia de condução autónoma e a subscrições de sistemas de autonomia para automóveis particulares poderá atingir 300 mil milhões de dólares em 2035. O mesmo estudo estima que o transporte de mercadorias sem condutor fique mais barato por quilómetro do que o transporte com motorista, já em 2028 nos Estados Unidos.
Como em qualquer projeção a longo prazo, estes números dependem de a tecnologia e a regulação evoluírem como o previsto.
