
O S&P 500 voltou a negociar em máximos históricos depois de uma recuperação rápida, mesmo num contexto ainda marcado por incerteza geopolítica. Mas o mais relevante não é apenas a subida do índice, mas sim a explicação por detrás desses ganhos. Este ano, a valorização do mercado acionista norte-americano está a ser mais suportada pelos fundamentais das empresas do que pelo simples otimismo dos investidores.
Como mostra o gráfico, o contributo dos múltiplos de avaliação (rácio P/E) tem sido negativo em 2026. Ou seja, os investidores estão a pagar menos por cada dólar de lucros esperados do que pagavam no início do ano. Ainda assim, o S&P 500 continua positivo, porque esse efeito tem sido mais do que compensado pelo crescimento das receitas, pela expansão das margens de lucro e pelos dividendos. Na prática, as empresas estão a conseguir vender mais, transformar uma parte maior dessas vendas em lucro e entregar melhores resultados aos seus acionistas.
Este ponto é importante porque ajuda a distinguir dois tipos de mercado.
Um mercado que sobe porque os investidores estão dispostos a pagar avaliações cada vez mais altas, pode tornar-se mais vulnerável a correções quando o sentimento geral muda.
Já um mercado que sobe porque as empresas estão a aumentar receitas, lucros e margens dá sinais de que a valorização está mais sustentada na evolução real dos negócios.
É isso que aparenta estar a acontecer neste momento, os lucros esperados têm melhorado e a época de resultados tem mostrado empresas a superar as estimativas dos analistas. Até agora, cerca de um terço das empresas do S&P 500 já apresentou resultados nesta earnings season, e o balanço tem sido bastante positivo. Segundo dados do Bank of America, 73% das empresas superaram as estimativas de lucro por ação, 79% bateram as previsões de receitas e 62% superaram ambas.
Isto não significa que o mercado esteja particularmente barato. As avaliações do S&P 500 continuam acima da média histórica e há riscos que não desapareceram, desde o aumento da inflação, às futuras decisões de política monetária e as tensões geopolíticas. Mas os fundamentais das empresas continuam a melhorar, e no MoneyLab reforçamos a ideia de que mais do que olhar apenas para a subida/descida dos mercados, é essencial perceber o que está por detrás dessa valorização/desvalorização.
