A Reserva Federal dos EUA manteve as taxas de juro inalteradas no intervalo entre 3,50% e 3,75%, numa decisão que já era esperada pelos mercados. Ainda assim, a reunião da Fed acabou por trazer um ponto importante, a votação foi de 8 contra 4, o maior nível de discordância interna desde 1992. Ou seja, o mais relevante não foi tanto a decisão em si, mas a mensagem enviada para os próximos meses.
No centro da discussão está a inflação. A Fed voltou a indicar que a inflação continua elevada, em parte devido à subida recente dos preços da energia, e que a incerteza económica permanece elevada. Para os investidores, isto significa que os cortes de juros podem demorar mais tempo a chegar do que muitos gostariam. Juros mais altos durante mais tempo tendem a pesar sobre o crédito, o consumo, o imobiliário e também sobre as avaliações das ações, sobretudo das empresas mais dependentes de crescimento futuro.
A divisão dentro da Fed mostra precisamente esse dilema. Há membros mais preocupados com o risco de a economia abrandar demasiado, e outros mais focados no risco de a inflação voltar a ganhar força. Para os mercados, esta falta de consenso torna o caminho da política monetária menos previsível.
Outro ponto relevante é o futuro de Jerome Powell. Esta poderá ter sido a sua última reunião como presidente da Fed, numa altura em que Kevin Warsh avança no processo para lhe suceder. Ainda assim, Powell indicou que continuará como governador da Fed por tempo indeterminado, defendendo a importância da independência do banco central face a pressões políticas da administração Trump.
A reunião reforçou a ideia de que a Fed continua presa entre o aumento da inflação, o desejo de pleno emprego e um potencial abrandamento económico, um equilíbrio difícil que deverá manter as decisões sobre taxas de juro no centro das atenções nos próximos meses.
