
Num início de ano em que os investidores estão particularmente atentos ao rumo da economia global, há um indicador que ajuda a perceber porque é que nem todos os mercados acionistas são vistos da mesma forma, o equity risk premium, ou prémio de risco acionista. De forma simplificada, é o retorno adicional que os investidores exigem para investir em ações de um determinado país, em vez de aplicarem o seu dinheiro em ativos considerados mais seguros, como obrigações soberanas de elevada qualidade. Quanto maior for esse prémio, maior tende a ser a perceção de risco desse mercado. Em janeiro de 2026, os dados mostram um contraste claro entre países mais estáveis, como Suíça, Canadá, Austrália e Alemanha, com 4,2%, e mercados muito mais frágeis, como Bielorrúsia, Líbano, Sudão e Venezuela, todos com um prémio de 30,9%.
Este “retorno extra” parte de uma referência para mercados desenvolvidos e depois incorpora ajustes relacionados com o risco específico de cada país. Entram fatores como o risco de crédito soberano, a solidez das instituições, a estabilidade política, a previsibilidade económica e a volatilidade do próprio mercado acionista. É por isso que países marcados por guerra, colapso institucional ou repressão política apresentam valores tão elevados. A Bielorrússia continua a refletir a repressão política, o Líbano é descrito como um Estado falhado, o Sudão vive uma guerra civil desde 2023, e a Venezuela continua a sofrer as consequências de anos de instabilidade e má gestão económica.
Para os investidores, este indicador tem impacto direto nas avaliações. Quanto maior for o equity risk premium, maior será a taxa de desconto usada para avaliar empresas desse país e, por isso, menor tende a ser o valor atribuído às suas ações. Dito de outra forma, dois negócios parecidos podem valer montantes bastante diferentes consoante estejam expostos a geografias mais ou menos previsíveis. Também por isso a Europa não deve ser vista como um bloco homogéneo. Os países do sul da Europa, mais afetados pela crise da dívida soberana, continuam a apresentar prémios mais altos do que os mercados do norte da Europa. Espanha e Portugal estão nos 5,8%, Itália nos 6,7% e Grécia nos 7,1%.
Ainda assim, um prémio de risco mais alto não significa automaticamente melhores ou piores oportunidades. O que este indicador mostra é o nível de recompensa que o mercado exige para aceitar aquele risco. Nos Estados Unidos, por exemplo, o valor de 4,5% sugere que mesmo o maior mercado do mundo não está imune a preocupações, num contexto de maior polarização política e dúvidas sobre o panorama geopolítico.
Para além do potencial de subida de uma ação, importa também perceber o risco da geografia onde essa empresa opera. É muitas vezes aí que começa a diferença entre uma avaliação prudente ou um investimento excessivamente otimista.
