
Em 2025, o S&P 500, o índice que junta 500 das maiores empresas cotadas dos EUA, terminou o ano com um retorno total de +17,9%, em dólares. Vale a pena olhar para a origem deste ganho. O retorno total, quer seja de uma empresa ou de índice, resulta da combinação de três parcelas relativamente simples de entender, dividendos (1,5%), expansão do rácio P/E (2,1%) e crescimento dos lucros das empresas (14,3%).
Os dividendos são a parcela mais intuitiva, correspondem a uma distribuição de parte dos lucros da empresa aos seus acionistas, ou seja, um pagamento que o investidor recebe por deter as ações.
Já o crescimento dos lucros é o motor do negócio, se, no conjunto, as empresas vendem mais, aumentam margens e geram melhores resultados líquidos, isso tende a refletir-se no valor que os investidores atribuem a essas empresas.
A terceira variável, a expansão do rácio P/E, é a parcela mais “psicológica”. Por exemplo, se o P/E da empresa aumentar, significa que o mercado ficou disposto a pagar mais por cada euro/dólar de lucro que a empresa gera, muitas vezes por otimismo, queda de taxas de juro, ou por as suas expectativas do crescimento futuro da empresa melhorarem.
No longo prazo, a evolução dos lucros é o principal fator dos retornos das ações. Se os lucros crescem de forma sustentada, há mais capacidade para reinvestir, inovar, comprar concorrentes, recomprar ações e pagar dividendos, e tudo isso reforça a capacidade de criação de valor das empresas ao longo de anos e décadas. Em contrapartida, o rácio P/E pode subir ou descer de um ano para o outro, mas é, em regra, um fator menos fiável para explicar o retorno total das empresas, por depender de taxas de juro, sentimentos e expectativas do momento.
Ainda assim, convém não cair na ideia de que, no curto prazo, “quando os lucros sobem, a bolsa sobe” e vice-versa. Há anos em que o mercado sobe mesmo com lucros a cair, e outros em que cai apesar de lucros a crescer, porque a bolsa reage a expectativas, notícias, emoções e muitos outros fatores. No curto prazo pode acontecer de tudo, no longo prazo, os fundamentos das empresas tendem a mandar.
